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Flávio Maluf e os 50 milhões de árvores que sustentam a cadeia produtiva da Eucatex

Flávio Maluf e os 50 milhões de árvores que sustentam a cadeia produtiva da Eucatex

by Flavio Maluf on abril 8, 2026 at 4:14 pm

Cinquenta milhões de árvores ocupam 48 mil hectares no interior de São Paulo. Cada uma delas faz parte de um cálculo industrial preciso.A Eucatex consome 1,8 milhão de metros cúbicos de madeira por ano, replanta cerca de 7.500 hectares por ano e produz 13 milhões de mudas clonais por ciclo. Flávio Maluf, presidente executivo da companhia desde 1997, ergueu essa operação florestal como base para um modelo que conecta silvicultura, manufatura e reciclagem em uma cadeia fechada.“Nascemos de uma base florestal. Plantamos eucalipto desde a década de 50 para a produção de chapas finas e painéis de eucalipto”, afirmou Flávio.A empresa existe desde 1951. Na década de 1960, passou a transformar eucalipto em forros acústicos, um uso incomum à época, quando o setor recorria majoritariamente a madeiras nativas. Hoje, a companhia é uma das maiores fabricantes de painéis MDF e MDP, pisos laminados, portas, divisórias, tintas e vernizes do Brasil, incluindo tintas decorativas. Aproximadamente 75% dessa receita vem diretamente da base florestal, segundo José Antônio Goulart de Carvalho, vice-presidente da empresa. Para referência, o Brasil ultrapassou pela primeira vez a marca de 10 milhões de hectares de florestas plantadas, dos quais 7,8 milhões são de eucalipto, com produtividade média nacional de 35,7 m³/ha/ano, quase o dobro da do Hemisfério Norte, segundo o Relatório Anual 2024 da Indústria Brasileira de Árvores.O Ciclo Florestal Fechado“Atualmente, investimos em melhoramento genético e na produção de mudas clonais. Nossas florestas têm um dos maiores IMAs (Incrementos Médios Anuais) do Brasil”, destacou Flávio Maluf.O viveiro operacional em Bofete, no interior paulista, ocupa 10 hectares e funciona desde a década de 1970. Dele saem as mudas que abastecem as fazendas de eucalipto da empresa. Cada etapa da cadeia florestal passa pela Eucatex, desde a seleção genética das mudas até o carregamento dos caminhões que abastecem as fábricas. Entre 2023 e 2024, a Eucatex destinou R$ 555,7 milhões em investimentos à manutenção de suas atividades, dos quais 56,74% foram destinados às operações florestais.A certificação FSC (Forest Stewardship Council), obtida em 1996 sob a gestão de Flávio Maluf, antecipou, em anos, a adesão do setor a padrões ambientais formalizados. Até julho de 2024, 9,53 milhões de hectares de florestas naturais e plantadas no Brasil estavam certificadas pela FSC. A Eucatex foi uma das primeiras a adotar o sistema. “Desde os anos 90, a Eucatex possui o selo FSC, o mais alto reconhecimento de sustentabilidade. Também possui a certificação ISO 14001, que atesta padrões internacionais de qualidade e gestão ambiental,” observou o executivo.Essas credenciais abriram portas concretas. Em 2001, a Eucatex se tornou a primeira empresa a receber um certificado de produto sustentável da Home Depot. “Até hoje, somos um fornecedor relevante do segmento para eles”, afirmou Flávio Maluf.Reciclagem Industrial e BiomassaA central de reciclagem em Salto, no interior de São Paulo, coleta resíduos de madeira num raio de até 100 quilômetros. Paletes, bobinas, pontaletes, retalhos de móveis e resíduos de construção civil chegam de mais de 300 empresas parceiras.São mais de 100 mil toneladas reaproveitadas por ano. A iniciativa preserva cerca de 1 milhão de árvores que deixam de ser cortadas e gera uma economia estimada de 15 milhões de litros de água por ano.“A partir da experiência que adquirimos ao longo dos anos, sempre nos questionamos: ‘Como podemos trabalhar melhor com a madeira?’’ Como podemos minimizar o desperdício? Como podemos tornar a cadeia produtiva mais eficiente?’” Explicou Flávio Maluf.Inaugurada em 2004, a linha de reciclagem foi a primeira em escala industrial da América Latina. Todo o material coletado vira biomassa para as caldeiras da unidade de madeira em Salto, substituindo a queima de óleo diesel e de gás natural por uma fonte mais econômica e menos poluente. Onde as florestas plantadas fornecem matéria-prima primária, a reciclagem recupera o que seria descartado e reinsere na produção.Energia Renovável e Resultados FinanceirosFlávio Maluf ampliou a lógica ambiental da Eucatex para além da madeira. A empresa investiu R$ 300 milhões na Usina Solar Castilho, a maior do estado de São Paulo, com capacidade de geração de 269 MWp, em parceria com a Comerc Energia.“Hoje, 50% do consumo de energia elétrica em nossas fábricas vem desse tipo de energia. É uma grande conquista, totalmente alinhada com a nossa filosofia”, relatou Maluf.Biomassa nas caldeiras, energia solar nas linhas de produção. A dependência de combustíveis fósseis diminuiu.Em 2025, a Eucatex publicou seu primeiro Relatório de Sustentabilidade, cobrindo de janeiro de 2023 a dezembro de 2024, incluindo o primeiro inventário de Gases de Efeito Estufa da companhia. No aspecto financeiro, em 2025, o faturamento consolidado alcançou R$ 3,1 bilhões. Para 2026, a previsão é de R$ 500 milhões em investimentos, com mais da metade voltada à expansão do reflorestamento.Flávio Maluf também instituiu, em 1999, o Programa de Educação Ambiental da Eucatex, voltado a estudantes de escolas públicas de Bofete e de Salto. “Além de disseminar informações sobre preservação ambiental, promovemos cursos de saúde e segurança, combate a incêndios e ações de primeiros socorros, formando moradores e profissionais”, explicou Flávio. Mais de 27 mil visitantes já participaram do programa. Outro projeto ligado às florestas, o Programa de Apicultura Polinizar, ativo desde 2004, proporcionou a produção de mais de 320 toneladas de mel nos últimos onze anos, beneficiando cerca de 30 famílias rurais.

Da Engenharia ao Comando da Eucatex, Flávio Maluf Moldou uma Cultura de Gestão Própria

Da Engenharia ao Comando da Eucatex, Flávio Maluf Moldou uma Cultura de Gestão Própria

by Flavio Maluf on abril 8, 2026 at 4:13 pm

Quatro dias por semana, das 8h45 às 18h30, Flávio Maluf cumpre uma agenda fixa no escritório da Eucatex. Reuniões com os departamentos ocupam blocos programados. No quinto dia, ele vai às fábricas.Esse ritmo não mudou em quase três décadas. Flávio Maluf assumiu a presidência da Eucatex em 1997, aos 35 anos, após uma década de trajetória nos setores operacionais da companhia. A Eucatex é uma das maiores fabricantes de tintas decorativas do Brasil, com um portfólio que abrange ainda pisos, painéis, divisórias e chapas de fibra de madeira. Engenheiro mecânico formado pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) em 1985, ele passou um ano em Nova York, frequentando cursos na New York University e trabalhando, antes de voltar ao Brasil.Flávio Maluf entrou na Eucatex em 1987 pelo setor de comércio exterior. Logo passou à área industrial, onde gastou sete anos projetando e erguendo duas fábricas do zero, uma voltada a tintas e outra a painéis MDP, num investimento total de US$ 200 milhões. Quando seu tio Roberto Maluf se aposentou da presidência, Flávio foi escolhido pela família para assumir o cargo.“Dedique-se e busque a perfeição naquilo que você faz”, aconselhou Flávio quando perguntado sobre sua postura empreendedora.Desde então, o faturamento anual do grupo cresceu mais de vinte vezes. A Eucatex emprega mais de 3.500 pessoas em seis unidades fabris no Brasil, mantém escritórios regionais e opera uma subsidiária própria em Atlanta, nos Estados Unidos. Exporta para mais de 40 países.Um engenheiro no comandoFlávio Maluf não se formou em administração. Sua lente é técnica, e isso se reflete nas decisões que tomou ao longo dos anos. Quando a Eucatex precisou de uma fonte energética mais barata para suas caldeiras, o executivo montou uma linha de reciclagem de madeira na própria fábrica de Salto, a primeira em escala industrial da América Latina, que hoje reprocessa mais de 100 mil toneladas de resíduos por ano.Quando o consumo elétrico das fábricas pesou no orçamento, investiu R$ 300 milhões na Usina Solar Castilho, a maior do estado de São Paulo, com capacidade de 269 MWp. “Hoje, 50% do consumo de energia elétrica em nossas fábricas vem desse tipo de energia. É uma grande conquista, totalmente alinhada com a nossa filosofia,” relatou Flávio Maluf.A formação em engenharia mecânica moldou um hábito particular na gestão de Flávio Maluf. Ele reserva um dia inteiro por semana para visitar as fábricas pessoalmente, acompanhando as linhas de produção e conversando com as equipes operacionais. Num setor em que muitos presidentes governam por planilhas, Flávio Maluf prefere ver as prensas funcionando.“As ideias vêm de ler revistas dos setores em que atuamos, da internet ou de visitar pontos de venda, observando produtos relacionados. Depois, discutimos com a equipe para ver quais delas levamos adiante,” explicou Flávio.Essa rotina de observação direta impulsiona o desenvolvimento de produtos. Em 2024, a Eucatex lançou o primeiro piso laminado quadrado em grande formato do Brasil, com dimensões de 90,6 x 90,6 cm, nunca vistas no mercado nacional de laminados. O produto, da linha Square dos pisos Eucafloor, recebeu o prêmio “Best in Show” na Expo Revestir 2024, na categoria “Melhor Piso Laminado.” “Nos antecipamos a algo que percebemos que realmente tinha demanda”, contou Flávio Maluf. O formato só foi possível porque a Eucatex trabalha com substrato HPP, um painel de eucalipto de alta densidade produzido internamente.No mesmo ano, a linha Acqua New de rodapés trouxe ao mercado peças feitas com partículas finas de madeira provenientes de florestas certificadas, combinadas com resina plástica de PVC, resultando em um compósito reciclável e impermeável. Também em 2024, o acabamento BP Poro SuperMatt introduziu nas Américas uma tecnologia europeia de painéis de madeira, com propriedades anti bactericidas e antifúngicas, por meio da proteção Bacterban®.Fracasso como Métrica de AmbiçãoFlávio Maluf fala sobre falhas sem rodeios.“A taxa de fracasso é diretamente proporcional à ambição de crescimento. Houve vários produtos lançados ao longo dos anos que não funcionaram, mas alguns funcionaram, e o saldo foi e é positivo. Reconhecer suas limitações é mais importante do que reconhecer suas habilidades,” afirmou.A Eucatex mantém um portfólio que abrange pisos, portas, divisórias, painéis de MDF e MDP, chapas de fibra, tintas e vernizes. Pouco menos da metade da receita vem de materiais para construção civil, e outra fatia semelhante atende aos setores de móveis e de revenda de painéis. Em novembro de 2025, a companhia venceu o prêmio “Melhor Produto, Linha Imobiliária” da Abrart, a Associação Brasileira dos Revendedores de Tintas, em competição com marcas como Coral, Suvinil e Sherwin-Williams.O Questionamento como MétodoQuando perguntado sobre gestão, Flávio Maluf recorre menos a declarações de princípios e mais a perguntas.“A partir da experiência que adquirimos ao longo dos anos, sempre nos questionamos: ‘Como podemos trabalhar melhor com a madeira?’’ Como podemos minimizar o desperdício? Como podemos tornar a cadeia produtiva mais eficiente?’” Explicou Flávio. “Dessas perguntas surgiram soluções e programas, e até novos negócios, que amanhã podem ser responsáveis pelo crescimento da empresa.”Essa mecânica de interrogação gerou resultados mensuráveis. A certificação FSC, obtida em 1996, fez da Eucatex uma das primeiras no setor de materiais de construção a adotar padrões ambientais formalizados. Cinco anos depois, a empresa se tornou a primeira do mundo a receber um certificado de produto sustentável da Home Depot. “Até hoje, somos um fornecedor relevante do segmento para eles”, afirmou Flávio Maluf.O mesmo hábito de questionar levou a Eucatex a digitalizar sua operação comercial. A empresa lançou um marketplace B2B pioneiro no segmento de pisos, que hoje recebe cerca de um milhão de acessos anuais e 65 mil visitas mensais orgânicas no Google. Flávio Maluf utiliza o QlikView como ferramenta de relatórios gerenciais para analisar o desempenho e orientar decisões sobre o desenvolvimento de produtos.“Nossa plataforma tem a vantagem de nos mostrar melhor quem é o consumidor da Eucatex”, observou o executivo. “E são essas informações que vão nos ajudar a desenvolver produtos de forma mais assertiva, a analisar tendências de compra e a aprimorar nossos processos.”Fora do ambiente corporativo, mantém uma rotina de exercícios que inclui ciclismo cinco vezes por semana, natação quatro vezes por semana e condicionamento físico duas vezes por semana.Ao ser perguntado o que diria ao seu eu mais jovem, Flávio Maluf respondeu com uma autocrítica. “Se eu pudesse voltar no tempo, acho que teria olhado para mais negócios fora do campo da minha família.”Os números recentes sugerem que o campo escolhido não ficou pequeno. Em 2025, a Eucatex registrou faturamento de R$ 3,1 bilhões e lucro líquido de R$ 273,4 milhões. Para 2026, a companhia planeja investir R$ 500 milhões, dos quais mais da metade será destinada à expansão florestal. Sob a liderança de Flávio Maluf, a Eucatex opera hoje com seis fábricas, com presença em mais de 40 países e conta com mais de 3.500 funcionários.

Flávio Maluf e o Modelo de Economia Circular que Transforma Resíduos Industriais em Energia

Flávio Maluf e o Modelo de Economia Circular que Transforma Resíduos Industriais em Energia

by Flavio Maluf on março 30, 2026 at 6:52 pm

Paletes quebradas. Bobinas descartadas. Retalhos de madeira. Materiais que normalmente terminariam em aterros sanitários alimentam caldeiras e geram vapor nas fábricas de uma das maiores produtoras de materiais de construção do Brasil.Sob a gestão de Flávio Maluf, presidente desde 1997, a companhia desenvolveu um sistema de coleta de resíduos de madeira que se tornou referência em economia circular na América Latina. A operação recolhe materiais de mais de 300 empresas parceiras num raio de 70 quilômetros da unidade de Salto, no interior de São Paulo.O mercado brasileiro de conversão de resíduos em energia deve crescer a uma taxa superior a 5% ao ano até 2029, segundo projeções do setor. Flávio Maluf antecipou essa tendência há décadas.Pioneirismo na Reciclagem IndustrialA empresa adotou políticas ambientais muito antes da sustentabilidade se tornar pauta obrigatória em conselhos de administração. Foi a primeira na América do Sul a incorporar uma central de reciclagem no complexo fabril, utilizando sobras de madeira para gerar energia térmica.“Resíduos que seriam enviados para aterros são transformados em biomassa e utilizados em nosso sistema de produção”, explicou Flavio Maluf. “Essa tecnologia é mais econômica e tem menor impacto ambiental, pois não depende da queima de óleo ou de gás natural.”A central de reciclagem processa paletes, carretéis, passarelas e resíduos de madeira que podem conter pregos, papelão ou plástico. O material triturado abastece as caldeiras que fornecem vapor para os processos produtivos. Hoje, a instalação figura entre as maiores operações de reciclagem de madeira em escala industrial na América Latina.A Filosofia por Trás do SistemaFlávio Maluf atribui o desenvolvimento do programa a uma mentalidade de questionamento contínuo sobre a eficiência operacional.“A partir da experiência que adquirimos ao longo dos anos, sempre nos perguntamos: ‘Como podemos trabalhar melhor com a madeira?’ Como podemos minimizar o desperdício? Como podemos tornar a cadeia produtiva mais eficiente?’ Dessas perguntas, surgiram soluções e programas, e até novos negócios, que amanhã podem ser responsáveis pelo crescimento da empresa,” afirmou.Essa abordagem gerou benefícios que vão além da geração de energia. Os parceiros que fornecem resíduos recebem destinação adequada para materiais que, de outra forma, representariam custo e passivo ambiental. A companhia reduz sua dependência de combustíveis fósseis. Os aterros deixam de receber toneladas de madeira.Complemento Solar para a Matriz EnergéticaA conversão de resíduos em energia representa apenas uma parte da equação. Flávio Maluf direcionou R$ 300 milhões para a Usina Solar Castilho, a maior do estado de São Paulo, com capacidade de geração de 269 MWp. A parceria com a Comerc Energia viabilizou o projeto.“Hoje, 50% do consumo de eletricidade em nossas fábricas vem desse tipo de energia. É uma grande conquista, totalmente alinhada à nossa filosofia”, declarou Flávio Maluf.A combinação de biomassa proveniente de resíduos e energia solar fotovoltaica reduz a pegada de carbono das operações fabris, ao mesmo tempo que diminui a exposição às oscilações no custo da energia elétrica convencional.Base Florestal como Fundamento do CicloO modelo de economia circular baseia-se em uma operação florestal em grande escala. São 50 milhões de árvores distribuídas por 45 mil hectares de terra própria, com consumo anual de 1,8 milhão de metros cúbicos e plantio de aproximadamente 6 mil hectares por ano.“Nascemos de uma base florestal. Plantamos eucalipto desde os anos 1950 e o utilizamos para produzir chapas finas e painéis à base de eucalipto,” explicou Flavio Maluf. “Nosso investimento é constante e monitoramos o crescimento anual das florestas por meio de inventários.”Programas de melhoramento genético e viveiros de mudas clonais elevaram a produtividade das florestas. O Incremento Médio Anual (IMA) alcançado está entre os mais altos do país, e a capacidade de produção de mudas chega a 13 milhões de unidades por ano.Certificações que Validam o ModeloO programa de economia circular ganhou reconhecimento formal por meio de certificações internacionais. A companhia obteve o selo do Forest Stewardship Council (FSC) em 1996, antes de os padrões de sustentabilidade se tornarem requisito comum no setor de materiais de construção.“Em 2001, fomos a primeira empresa do mundo a obter a certificação de produto sustentável da Home Depot, uma gigante americana do setor. Até hoje somos fornecedores relevantes nesse segmento para eles”, afirmou Flávio Maluf.A certificação ISO 14001 complementa o selo FSC, atestando conformidade com padrões internacionais de gestão ambiental. Em 2023, a Forbes Brasil posicionou a empresa em 81º lugar na lista Agro100, que reconhece empresas do setor agrícola e florestal com desempenho destacado.Produtos que Fecham o CicloA lógica circular se estende aos produtos finais. A linha Acqua New de rodapés, lançada em 2024, combina partículas de madeira provenientes de florestas certificadas com resina plástica para criar componentes impermeáveis, duráveis e recicláveis. Flávio Maluf descreveu a linha como tendo “viés ecológico de fonte renovável, 100% reciclável e com emissão zero de gases de efeito estufa.”Outra inovação, a linha Square de pisos laminados, conquistou o prêmio principal na Expo Revestir 2024 na categoria de pisos laminados. O produto utiliza substrato HPP produzido com partículas alongadas de eucalipto, matéria-prima proveniente das florestas próprias da companhia.A trajetória de Flávio Maluf demonstra como princípios de economia circular, quando aplicados de forma integrada ao longo de décadas, podem transformar resíduos industriais em vantagem competitiva e reduzir o impacto ambiental de operações manufatureiras de grande escala.

Flávio Maluf e a Estratégia de Expansão Internacional que Levou uma Empresa Brasileira a 40 Países

Flávio Maluf e a Estratégia de Expansão Internacional que Levou uma Empresa Brasileira a 40 Países

by Flavio Maluf on março 30, 2026 at 6:51 pm

Uma subsidiária própria em Atlanta, na Geórgia. Exportações para mais de 40 países. Produtos customizados para os mercados da América Latina, da Europa e da América do Norte.Esses números pertencem a uma fabricante de materiais de construção fundada em 1951 no interior de São Paulo.Sob a liderança de Flávio Maluf, presidente desde 1997, a companhia deixou de ser um fabricante regional para se tornar uma multinacional presente nos principais mercados globais. O faturamento anual multiplicou-se por mais de vinte vezes desde que ele assumiu o comando.Dados do setor mostram que as exportações brasileiras de produtos à base de madeira atingiram US$ 305,7 milhões em julho de 2024, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Flávio Maluf posicionou sua empresa para capturar uma parte significativa desse mercado em expansão.A Base para a InternacionalizaçãoNascido em 2 de dezembro de 1961 em São Paulo, Flávio Maluf concluiu o curso de engenharia mecânica na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) em 1985. No ano seguinte, mudou-se para Nova York, onde frequentou cursos de administração na New York University enquanto adquiria experiência profissional.Essa vivência internacional moldaria sua visão de negócios.Ao retornar ao Brasil em 1987, Flávio Maluf começou a trabalhar na empresa familiar no setor de comércio exterior. Dois anos depois, transferiu-se para a divisão industrial, onde coordenou a construção de duas novas fábricas com investimento total de US$ 200 milhões.Quando assumiu a presidência em 1997, sucedendo seu tio Roberto Maluf, a companhia atuava principalmente no mercado doméstico. Hoje, opera escritórios regionais em todo o Brasil e possui uma subsidiária própria em Atlanta para atender ao mercado norte-americano.Customização Como Diferencial CompetitivoCerca de 20% da produção passa por adaptações para atender às exigências específicas de cada região. Para o mercado americano, o maior cliente internacional, Flávio Maluf criou produtos especializados, como chapas ripadas, chapas perfuradas brancas para organização de ferramentas em garagens e chapas brilhantes para quadros-negros.“A partir das características regionais, montamos um portfólio”, explicou Flávio Maluf em entrevista sobre a abordagem da empresa para customização de mercado.Flavio Maluf considera que as condições climáticas brasileiras oferecem vantagens para a fabricação de produtos à base de madeira de origem florestal. Adaptar produtos aos estilos regionais permanece como o principal desafio para o crescimento em mercados internacionais, segundo ele.Certificações que Abrem PortasA obtenção do selo do Forest Stewardship Council (FSC) em 1996 antecedeu a adoção generalizada de padrões de sustentabilidade na indústria de produtos florestais. Cinco anos depois, veio outro marco.“Fomos a primeira empresa do mundo, nos anos 2000, a oferecer produtos ambientalmente corretos para a rede americana Home Depot e a ter nossos produtos certificados por eles. Até hoje somos fornecedores relevantes nesse segmento para eles,” afirmou Flavio Maluf.A companhia também possui certificação ISO 14001 para sistemas de gestão ambiental. Essas credenciais facilitaram a entrada em mercados em que compradores exigem comprovação de responsabilidade ambiental.Estrutura de Produção para Escala GlobalA operação atual emprega mais de três mil pessoas em cinco plantas industriais no território brasileiro. A base florestal abrange 35 mil hectares com 50 milhões de árvores, e o consumo anual de madeira chega a 1,8 milhão de metros cúbicos.O portfólio inclui pisos e laminados, divisórias e portas, painéis MDP e MDF para indústria moveleira, chapas de fibra de madeira, tintas e vernizes. Materiais de construção respondem por 44% do faturamento total, enquanto a indústria de moveleiros e a revenda de painéis representam 41%.Para facilitar as vendas internacionais e domésticas, a empresa desenvolveu um marketplace B2B. A plataforma registra aproximadamente um milhão de visitas anuais e 65 mil visitas mensais de tráfego orgânico do Google, segundo dados internos.Projetos de Visibilidade InternacionalParticipações em obras de grande porte proporcionaram exposição internacional significativa. A empresa forneceu materiais tanto para estádios da Copa do Mundo quanto para as instalações das Olimpíadas de Verão de 2016 no Rio de Janeiro. Esses projetos atraíram a atenção internacional para os produtos da companhia, particularmente para sua linha de tintas.Em 2023, a Forbes Brasil posicionou a empresa em 81º lugar na lista Agro100, que destaca empresas que demonstram forte desempenho em condições desafiadoras.Visão para o Futuro das Exportações BrasileirasFlávio Maluf enxerga potencial considerável para o Brasil no mercado global de produtos manufaturados sustentáveis. “Hoje, quase 70% das exportações brasileiras são commodities. A expectativa é que um dia sejam 90% de produtos manufaturados. Temos vocação para ocupar uma fatia muito maior do que a que atualmente temos, porque nossas condições climáticas são favoráveis e não temos problemas com matérias-primas.”A trajetória sob a liderança de Flávio Maluf demonstra como uma fabricante brasileira pode competir globalmente, combinando vantagens naturais, certificações internacionais e disposição para adaptar seus produtos às necessidades específicas de cada mercado.

Flávio Maluf revoluciona a reciclagem de madeira na indústria Latino-Americana

Flávio Maluf revoluciona a reciclagem de madeira na indústria Latino-Americana

by Flavio Maluf on março 26, 2026 at 7:47 pm

Muito antes de a sustentabilidade se tornar um jargão corporativo, o executivo brasileiro Flávio Maluf implementou sistemas pioneiros de reciclagem de madeira na Eucatex, que transformaram as práticas industriais em toda a América Latina. Sua abordagem inovadora no uso de recursos posicionou a empresa como líder ambiental, ao mesmo tempo em que aprimorou sua eficiência operacional.Estabelecendo o Primeiro Centro de Reciclagem de Madeira de Escala Industrial da América LatinaNos anos 90, quando a maior parte das indústrias brasileiras tratava a madeira como um problema de descarte, Flavio Maluf foi ponta de lança na instalação do que se tornaria uma das maiores instalações de reciclagem de madeira de escala industrial da América Latina. Essa iniciativa inovadora estabeleceu a Eucatex como a “primeira empresa sul-americana a incorporar a reciclagem em seu sistema fabril”, utilizando madeira de descarte para gerar energia, em vez de depender de combustíveis fósseis.A operação de reciclagem agora coleta madeira de descarte de mais de 300 empresas parceiras localizadas em um raio de 70 quilômetros das instalações fabris da Eucatex em Salto. Essa rede direciona um volume significativo de material que de outro modo acabaria indo parar em aterros sanitários, incluindo paletes, carretéis, entulhos de construção e vários outros subprodutos de madeira que seriam descartados.“Resíduos que seriam enviados a aterros sanitários são transformados em biomassa e utilizados em nosso sistema de produção”, explica Flávio Maluf. “Essa tecnologia é mais econômica e tem menor impacto ambiental, já que não depende da queima de óleo ou gás natural. Além disso, há uma grande economia no plantio de novas árvores e no capital de giro, uma vez que a floresta leva 6 anos para crescer.”Projetando Eficiência por Meio da Redução de ResíduosA formação de Flávio Maluf em engenharia mecânica, obtida na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP) em 1985, deu base à sua abordagem sistemática ao uso de recursos. Em vez de ver a reciclagem como uma iniciativa meramente ambiental, ele a integrou à estratégia central de fabricação da Eucatex.Sua filosofia gira em torno de três perguntas fundamentais: “Como podemos trabalhar melhor com a madeira? Como podemos minimizar resíduos? Como podemos tornar a cadeia de produção mais eficiente?” Essa abordagem questionadora impulsionou melhorias contínuas nas práticas ambientais e nos processos fabris da Eucatex.O programa de reciclagem de madeira proporciona benefícios mensuráveis que vão além do impacto ambiental. Ao criar um sistema de ciclo fechado em que resíduos se tornam combustível para a produção de energia, a Eucatex reduziu seus custos operacionais e se protegeu da volatilidade dos preços da energia. Esse benefício duplo, econômico e ambiental, exemplifica a abordagem pragmática de Flávio Maluf em relação à sustentabilidade.Reconhecimento Internacional e Vantagens de MercadoA iniciativa de reciclagem contribuiu significativamente para a reputação da Eucatex na obtenção de certificações ambientais. A empresa possui certificação do Conselho de Manejo Florestal (do inglês, Forest Stewardship Council — FSC) desde os anos 90 e, em 2001, tornou-se “a primeira empresa a receber certificação de produto sustentável da Home Depot”, segundo Flavio Maluf.Esta implementação pioneira de padrões de sustentabilidade, com a reciclagem como componente central, confere vantagem competitiva à Eucatex em mercados internacionais, especialmente na América do Norte e na Europa, onde considerações ambientais têm influenciado cada vez mais as decisões de consumo.Hoje, a empresa exporta para mais de 40 países, com aproximadamente 20% de seus produtos adaptados às preferências e aos requisitos regionais. O programa de reciclagem foi essencial para estabelecer a reputação global da Eucatex como líder ambiental.Muito Além da Reciclagem: Criando uma Estratégia Ambiental AbrangenteEnquanto a instalação de reciclagem segue sendo a inovação de sustentabilidade mais visível de Flavio Maluf, ela é apenas um componente de uma estratégia mais ampla. Sob sua liderança, a Eucatex investiu R$ 300 milhões na Usina Solar Castilho, que hoje fornece 50% da eletricidade consumida pelas fábricas da empresa.Desde 1999, a Eucatex mantém um Programa de Educação Ambiental que já recebeu mais de 27.000 visitantes, disseminando informações sobre preservação ambiental e promovendo a conscientização sobre manejo florestal e práticas sustentáveis de gestão de resíduos.A empresa mantém cerca de 50 milhões de árvores plantadas em 45.000 hectares de terra, com plantio anual de 7.500 hectares. Esse equilíbrio sensível entre a colheita e o replantio garante uma fonte sustentável de matérias-primas, ao mesmo tempo em que captura dióxido de carbono da atmosfera.Um Exemplo de Produção SustentávelA iniciativa de reciclagem de madeira de Flávio Maluf transformou a Eucatex em um estudo de caso para a industrialização sustentável em economias em desenvolvimento. Ao demonstrar que a responsabilidade ambiental pode impulsionar o sucesso corporativo, Flavio Maluf ajudou a mudar a percepção da indústria sobre o papel da sustentabilidade na produção.“Acredito que o mundo realmente está rumando para a sustentabilidade, mas a um ritmo plausível”, nota Flávio Maluf, reconhecendo a necessidade de equilibrar o idealismo ecológico com considerações práticas de negócios. Esta abordagem realista levou o programa de reciclagem da Eucatex a ser replicado por outros fabricantes da região.Como presidente da Eucatex desde 1997, Flavio Maluf viu seu faturamento anual crescer vinte vezes. Ao longo deste período de crescimento, o compromisso da empresa com a reciclagem e eficiência na utilização de recursos manteve-se firme, demonstrando que liderança ambiental e expansão de negócios podem andar lado a lado.A instalação de reciclagem de madeira, estabelecida por Flávio Maluf, evoluiu ao longo das décadas, incorporando novas tecnologias e expandindo sua rede de coleta. O que começou como uma solução inovadora para o problema da gestão de resíduos se tornou uma vantagem competitiva definidora, posicionando a Eucatex para continuar prosperando em um mercado global cada vez mais ambientalmente consciente.